26/04/2007

Aula 13

João Cabral de Mello Neto

Parnasianismo, Pós-Modernismo, Concretismo: Diálogos

Joan Miró, Hombre y mujer ante un montón de excrementos. 1935
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
(Morte e Vida Severina)

Nota 10:
neste site você encontra informações, críticas, imagens e poemas declamados pelo próprio autor!

RODRIGO: Concierto de Aranjuez - Paintings By

Uma oportunidade deliciosa de ver os quadros de Miró acompanhados de um som perfeito!

Modrian

Vejam que delícia de animação feita com a obra desse artista fundador do neoplasticismo.

Elba Ramalho e José Dumont em Morte e Vida Severina

Trecho do especial da Globo "Morte e Vida Severina", baseado no livro do mesmo nome de João Cabral de Melo Neto. José Dumont é o protagonista e Elba Ramalho interpreta uma rezadeira.
Fantásticas atuações!

24/04/2007

23/04 - Dia do Livro

Foto: Eric Zorob
sou a soma dos livros que lí
recortes fragmentos um doído
tatuado do preto
no branco e o preto
cinza dos sentidos

sou as mulheres que amei
que frequentaram minha cama minha casa
meus espaços de dentro
ariana vitória luísa capitu
tantas belas feras megeras princesas
como tu
senhoras sinhás madalenas
mocinhas e bandidas

bandidas
roubando-me a mim

sou criança tecido boneca flexível adúltera
adulterada pelo ir e vir dos dedos
que vão e veêm

sou os homens e os vermes cortiço e seminário ateu e ateneu
sou a carne a verve a luz e cegueira
sou o evangelho teu

sou o que marquei com minhas digitais
pessoas, rosas, 1984
uma odisséia de retalhos hilstianos

sempre incompleta
sempre à espera
dos livros que lerei
caminho
entrelinhas
(Geruza Zelnys)

19/04/2007

AULA 12

Parnasianismo

Olá queridos! Bem-vindos ao 2º Bimestre!

Nesse momento do curso vamos falar sobre a literatura parnasiana e desfazer alguns preconceitos sobre essa estética literária, às vezes desprezada até pelos professores!
Rigidez, métrica clássica, arte pela arte, preciosismo vocabular, objetivismo e descritivismo, tudo isso está intimamente ligado a um tempo-espaço especial: a Belle époque (1870-1914).

É um período marcado pelo otimismo, satisfação, elegância e refinamento. Pensava-se que a ciência iria resolver tudo e que as novas invenções – automóvel, avião, submarino, lâmpada, cinema, rádio – tornariam o mundo um paraíso.
É o apogeu do imperialismo europeu. A Europa é o centro da civilização humana, sobretudo, Paris com seus cafés, cabarés e os espetáculos musicais populares do Moulin Rouge.
Vivia-se um misto de tranquilidade e euforia social, na qual a preocupação maior era beleza, ou seja, a FORMA.
É claro que este mundo acabará súbitamente com a Primera Guerra Mundial, mas enquanto isso não acontece...


Filmografia: Moulin Rouge - Amor em Vermelho
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2001
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce
Produção: Fred Baron, Martin Brown e Baz Luhrmann
Música: Craig Armstrong e Marius De Vries
Direção de Fotografia: Donald McAlpine
Sinopse: Christian (Ewan McGregor) é um jovem escritor que possui um dom para a poesia e que enfrenta seu pai para poder se mudar para o bairro boêmio de Montmartre, em Paris. Lá ele recebe o apoio de Henri de Toulouse-Latrec (John Leguizamo), que o ajuda a participar da vida social e cultural do local, que gira em torno do Moulin Rouge, uma boate que possui um mundo próprio de sexo, drogas, adrenalina e Can-Can. Ao visitar o local, Christian logo se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã de Paris e estrela maior do Moulin Rouge.

Satânia (Olavo Bilac)

Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente,
Pela janela, como um rioenorme
De áureas ondas tranquilas e impalpáveis,
Profusamente a luz do meio-dia
Entra e se espalha palpitante e viva.
Entra, parte-se em feixes rutilantes,
Aviva as cores das tapeçarias,
Doura os espelhos e os cristais inflama.
Depois, tremendo, como a arfar, desliza
Pelo chão, desenrola-se e, mais leve,
Como uma vaga preciosa e lenta,
Vem lhe beijar a pequenina ponta
Do pequenino pé macio e branco.

Sobe... cinge-lhe a perna longamente;
Sobe...- e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril!- prossegue,
Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura,
Morde-lhe os bicos túmidos dos seios,
Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo
Da axila, acende-lhe o coral da boca,
E antes de se ir perder na escura noite,
Na densa noite dos cabelos negros,
Pára confusa, a palpitar, diante
Da luz mais bela dos seus grandes olhos.

E aos mornos beijos, às carícias ternas,
Da luz, cerrando levemente os cílios,
Satânia os lábios úmidos encurva,
E da boca na púrpura sangrenta
Abre um curto sorriso de volúpia...
(...)
ufa! até suei! rsss

Moulin Rouge - Sparkling Diamonds

ARTE PELA ARTE
PRECIOSISMO
CULTO À FORMA

SANTINE!!!
NICOLE KIDMAN!!!

OBSERVEM AS COREOGRAFIAS NESTE FILME!